Congresso brasileiro discute se deve guardar Bitcoin no cofre das reservas nacionais

10-Oct-2025 Livecoins

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados realizou audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº 4.501/2024, de autoria do deputado Eros Biondini, que propõe a criação de uma reserva estratégica soberana de Bitcoin pelo governo federal.

O encontro reuniu representantes do Ministério da Fazenda, Banco Central, setor financeiro e entidades ligadas à criptoeconomia.

O debate revelou um ponto central: o choque entre a inovação tecnológica e o conservadorismo da política monetária.

Os argumentos a favor

Para defensores da proposta, como Diego Colling (Méliuz) e Júlia Rosin (ABcripto), o Bitcoin já deixou de ser um experimento marginal e se consolidou como um ativo global.

O Brasil é hoje o 7º maior mercado de criptoativos do mundo, com mais de 25 milhões de pessoas expostas ao setor. Além disso, o Bitcoin apresenta a maior valorização acumulada da última década, superando ouro, ações e moedas tradicionais.

Na visão dos apoiadores, adotar o Bitcoin nas reservas nacionais seria posicionar o Brasil na vanguarda da inovação, diversificar riscos e garantir soberania diante de um cenário internacional cada vez mais instável.

Países como El Salvador, Estados Unidos (com reservas específicas) e diversos estados norte-americanos já avançaram nesse sentido.

As críticas e preocupações

Do lado do governo, Daniel Leal (Ministério da Fazenda) e Luís Guilherme Ceciliano (Banco Central) foram enfáticos ao apontar riscos. O principal deles é a volatilidade extrema do Bitcoin, incompatível com o objetivo primário das reservas internacionais, que é servir de proteção em momentos de crise, garantindo liquidez e estabilidade cambial.

O Banco Central lembrou ainda que, segundo classificação do FMI, o Bitcoin não é ativo de reserva, mas um ativo de capital, semelhante a imóveis ou recursos naturais. Dessa forma, sua inclusão no portfólio oficial exigiria mudança legislativa mais robusta, possivelmente via lei complementar.

O ponto de equilíbrio

Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban, buscou uma posição intermediária: reconheceu a volatilidade como obstáculo, mas destacou que é inevitável que bancos centrais e gestores públicos incluam o Bitcoin no seu “cardápio de discussão”.

A questão seria definir qual percentual, em que momento e com que governança.

O que está em jogo

Mais do que discutir 5% das reservas em Bitcoin, a audiência pública abriu um debate maior: como o Brasil vai se posicionar diante da transformação financeira global trazida pelos criptoativos.

Ignorar pode significar atraso; adotar sem cautela pode comprometer a credibilidade da política monetária.

O consenso é que o tema não voltará para a gaveta. Como ressaltou o deputado Luís Felipe de Orleans e Bragança, “as moedas tradicionais são todas inflacionárias; o Bitcoin se fortalece justamente por não depender de bancos centrais e nem de ingerências políticas”.

Conclusão

O PL 4.501/2024 pode sofrer ajustes, mas sua mera tramitação já cumpre um papel pedagógico: colocar na agenda pública a necessidade de discutir novas formas de reserva de valor.

O futuro da economia brasileira, no cenário de inovação global, passa também por como o país irá lidar com o Bitcoin.

Fonte: Congresso brasileiro discute se deve guardar Bitcoin no cofre das reservas nacionais

Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Also read: Bitcoin vs Gold: Will BTC Overtake the Yellow Metal?
About Author Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Nunc fermentum lectus eget interdum varius. Curabitur ut nibh vel velit cursus molestie. Cras sed sagittis erat. Nullam id ante hendrerit, lobortis justo ac, fermentum neque. Mauris egestas maximus tortor. Nunc non neque a quam sollicitudin facilisis. Maecenas posuere turpis arcu, vel tempor ipsum tincidunt ut.
WHAT'S YOUR OPINION?
Related News