Relatório do Mercado Cripto – Outubro de 2025 Fechamento do mês e projeções para Novembro

04-Nov-2025 bitcoinblock

Ana de Mattos, Analista Técnica e Trader Parceira da Ripio, uma das maiores plataformas de criptoativos da América Latina.

Outubro trouxe o primeiro grande teste de estresse do quarto trimestre de 2025. O flash crash do dia 10 expôs o excesso de alavancagem, funcionou como um reset do mercado e teve três efeitos imediatos: eliminou posições frágeis, redistribuiu risco e criou novas oportunidades para os investidores mais pacientes.

Ao contrário do padrão histórico de “Uptober”, 2025 quebrou a tradição. Após renovar máximas acima de US$ 126 mil no início do mês, o Bitcoin caminha para fechar outubro com queda de cerca de -0.53%, segundo dados do Coinglass.

O ponto de inflexão foi o pronunciamento de Trump no dia 10, que anunciou tarifas de 100% sobre as importações chinesas. A sinalização de escalada na guerra comercial acionou um movimento imediato de aversão ao risco. Os market makers ampliaram spreads e reduziram a profundidade do book, e a alavancagem excessiva transformou a correção inicial em uma queda vertiginosa no mercado cripto.

Foi um teste de estresse real para o ecossistema. Em 24 horas, cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancas foram liquidadas à força, afetando aproximadamente 1,6 milhão de traders. Em algumas corretoras, o BTC chegou à faixa de US$ 102 mil antes de recuperar parte da queda e encerrar o dia com perda próxima de 8%. Esse nível de preço não era visto desde junho.

O choque atingiu principalmente ativos mais especulativos. As altcoins registraram quedas intradiárias desproporcionais, com casos de -30% a -80% em questão de minutos. O Ethereum encerrou o dia com perda de -12%, e a Solana -16%.

A volatilidade extrema também pressionou as corretoras. Grandes exchanges relataram instabilidade, lentidão e travamentos, e acionaram mecanismos de último recurso, como o auto-deleveraging (ADL), que encerra posições vencedoras para cobrir fundos de seguro.

Em contraste, apesar da volatilidade, a infraestrutura DeFi se provou robusta. Os principais protocolos de Finanças Descentralizadas processaram volumes recordes e permaneceram operando, com ponto de atenção na latência de oráculos nos momentos de estresse. O contraste entre infraestrutura permissionless e plataformas centralizadas foi uma das lições do mês.

Em última análise, o gatilho do sell-off pode ter sido a iminente guerra comercial entre EUA e China, mas o fator decisivo foi a alavancagem. O excesso de risco no sistema ativou uma cascata de liquidações sem precedentes, registrada como a maior da história do mercado cripto. O volume liquidado superou o crash da COVID em 2020 (US$ 1,2 bi) e o flash crash da FTX em 2022 (US$ 1,6 bi).

Apesar de ter registrado o pior outubro em anos, o Bitcoin mostrou força e segue negociado acima dos US$ 112.000, bem distante das mínimas do dia do crash. O Ethereum também mostrou resiliência parecida: do fundo do crash (US$ 3.435) até o nível atual (US$ 3.990), o ganho é de 16%. Ainda assim, essa recuperação é apenas parcial, não foi um “V” clássico, que costuma ser rápido e completo. O choque de confiança e a desalavancagem forçada ainda pesam no mercado. A expectativa é de uma recuperação mais lenta, com investidores mais defensivos enquanto o cenário macro se desenrola


Regulação, ETFs e institucionalização

Em paralelo, a agenda regulatória avançou nos EUA com a simplificação do processo de listagem de ETFs e os primeiros fundos além de Bitcoin e Ether entrando em operação. Em setembro, a SEC adotou padrões genéricos de listagem, reduzindo o tempo de aprovação de ETPs. Isso permitiu que, em outubro, fossem lançados os primeiros ETFs de altcoins (incluindo Litecoin, Solana e Hedera) mesmo com o risco de shutdown nos EUA. O movimento sinaliza maior aceitação do mercado cripto. Na prática, isso abre espaço para mais capital tradicional entrar no setor.

O ETF de Bitcoin da BlackRock liderou as captações no ano, com mais de 800 mil BTC sob gestão. O AUM do IBIT já ultrapassou US$ 90 bilhões. No total, os ETFs de Bitcoin somam US$ 153 bilhões sob gestão, distribuídos entre 12 fundos.

De acordo com o “Crypto Market Review Q3 2025”, da Bitwise, empresas listadas em bolsa detêm hoje 1,02 milhão de BTC em balanço, o que corresponde a 4,87% do fornecimento máximo de 21 milhões de Bitcoin. O relatório também aponta que 172 companhias de capital aberto já mantêm Bitcoin em caixa.

Após o crash do dia 10, a leitura institucional parece até fortalecida: o sistema não quebrou. Mesmo com volatilidade extrema, os protocolos seguiram operando. O movimento acabou entendido mais como limpeza de alavancagem e pausa temporária no impulso de alta, e menos como uma reversão estrutural de tendência. Nesse contexto, ainda prevalece um viés otimista, com projeções de alta para o fim de 2025.

O ano carrega duas narrativas principais. A primeira é o Bitcoin como ouro digital. A segunda é o crescimento de stablecoins e da tokenização de ativos do mundo real (RWA). As duas são vistas como catalisadoras para nova entrada de capital e sustentação de demanda. Combinadas com maior clareza regulatória nos EUA e a sinalização de cortes de juros pelo Fed, o cenário base continua otimista.

No agregado, a institucionalização crescente, a tese de stablecoins e a tokenização de ativos do mundo real (incluindo o avanço legislativo via GENIUS Act) funcionam como catalisadores de uma possível segunda pernada de alta neste ciclo.


Conexão macro

Enquanto isso, no front macroeconômico, o Federal Reserve sinalizou corte de 0,25 p.p. para o fim do mês, o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa de juros inalterada e o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu levemente a projeção de crescimento global para 2025, de 3,3% para 3,2%. O quadro continua sendo de crescimento moderado, abaixo do ritmo pré-pandemia.

O quadro macro influenciou o mercado cripto de duas formas principais. A primeira, via política monetária: o Fed sinalizou afrouxamento, o que reduz a taxa de desconto e favorece ativos de maior duration. Em termos práticos, juros mais baixos aumentam o valor presente de fluxos de caixa futuros, o que beneficia ativos cujo preço depende muito de expectativas de retorno lá na frente (como ações de growth e cripto). Na margem, as curvas longas de juros cederam, o dólar perdeu força e o crédito ficou um pouco menos caro. Essas condições reforçaram o apetite por risco ao longo do mês e ajudaram na recuperação parcial pós-crash.

A segunda, via geopolítica e comércio: EUA e China avançaram em entendimentos para suspender novas tarifas americanas e aliviar restrições chinesas. Ao mesmo tempo, aconteceram outros pontos de estresse, como novas sanções à Rússia e uma trégua frágil no Oriente Médio. Nos EUA houve ainda o shutdown, que atrasou dados oficiais e elevou a incerteza, mas não mudou o quadro geral. O balanço segue sendo de liquidez global um pouco mais favorável e menor atrito comercial, fatores que tendem a sustentar o apetite por risco enquanto não houver novos choques.


Projeções para novembro de 2025

No curto prazo, a palavra-chave ainda é cautela. O mercado passou por uma desalavancagem muito forte. O cenário base para novembro é de normalização gradual depois do choque de outubro, apoiada em três pontos: expectativa de política monetária mais branda nos EUA, aceleração dos fluxos em ETFs e consolidação da narrativa de stablecoins e RWA. Se esses fatores permanecerem em linha, a tendência é de um mercado com menos estresse do que no dia 10, mas ainda com briga de faixa de preço e alta sensibilidade a dados e notícias.

Stablecoins e RWA viraram parte central da tese do ciclo. Stablecoins com lastro e reguladas facilitam a entrada e saída de capital no ecossistema. RWAs tokenizados conectam fluxo de yield do mundo real direto para dentro de cripto. Isso tem dois efeitos práticos: mais liquidez previsível (que ajuda a absorver choques) e uma narrativa de uso que não depende exclusivamente de preço. O mercado enxerga isso como base estrutural: mesmo que o preço oscile no curto prazo, a integração com o sistema financeiro tradicional segue avançando.

O desfecho alternativo para novembro é de volta da aversão a risco caso haja choque externo. Nesse caso, o prêmio de risco sobe, o dólar se fortalece e a liquidez em altcoins seca, o que pode levar a uma nova rodada de realização. É um possível cenário negativo, e o investidor precisa estar preparado com caixa para aproveitar preços descontados.


Análise estratégica

Cripto é um mercado de volatilidade extrema. Quedas de 20% ou 30% acontecem. Já aconteceram e vão voltar a acontecer. A mensagem central é direta: gestão de risco não é opcional. O investidor deve evitar alavancagem excessiva, usar stops com critério, diversificar e proteger o capital.

Também é importante entender onde e como o preço se forma. Em certos momentos a liquidez some, as corretoras aplicam regras próprias e mecanismos de proteção aceleram o movimento. Além disso, o cripto não está isolado: decisões macro e choques geopolíticos influenciam a direção do mercado. Mesmo assim, a presença institucional continua aumentando e tende a mudar a dinâmica dos ciclos. Ao mesmo tempo, a base do ecossistema (Bitcoin, Ethereum e o núcleo de DeFi) mostrou resiliência.

No fim, um crash pode atuar como um reset saudável. Para quem tem caixa e disciplina, vira oportunidade de comprar ativos de qualidade com desconto.

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