
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu um processo civil público contra a empresa Tools for Humanity (fundadora da criptomoeda Worldcoin) e a filial brasileira da Amazon AWS na segunda-feira (20).
A promotoria do Estado cobra uma indenização coletiva na casa de R$ 240 milhões por supostos abusos na coleta de dados biométricos de cidadãos em situação de vulnerabilidade.
O projeto conhecido por distribuir a criptomoeda Worldcoin atraia consumidores com promessas de recompensas financeiras em troca do escaneamento da íris.
A prática, contudo, virou alvo de investigações devido ao foco das operações em bairros com altos índices de pobreza e carência social na capital paulista.
A ação judicial tem origem no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris de abril de 2026, instaurada na Câmara Municipal de São Paulo.
Os vereadores descobriram falhas na abordagem da companhia e repassaram as provas do inquérito para os procuradores de defesa do consumidor. A reportagem do Livecoins segue acompanhando o caso desde o início dos cadastros da World ID na capital paulista.
As investigações apontam o registro biométrico de mais de 400 mil pessoas em São Paulo ao longo dos últimos meses de operação da marca.
Os responsáveis pelo projeto ofereciam pagamentos em criptoativos na faixa de R$ 300 a R$ 700 por cada cadastro concluído nas ruas.
O recrutamento das vítimas ocorria em pontos de grande circulação de trabalhadores de baixa renda no transporte público metropolitano.
As equipes da empresa montaram estandes perto de estações de metrô e unidades do Poupatempo em diversas áreas periféricas da metrópole.
A promotora Patrícia protocolou pedidos de urgência para barrar novas abordagens com ofertas de dinheiro ou de criptomoedas em vias públicas.
Ela também requer a preservação de todos os registros e metadados até o fim das auditorias de segurança da Justiça.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já possuía uma ordem de suspensão contra as recompensas financeiras da corporação no Brasil.
Contudo, os idealizadores do projeto ignoraram a restrição federal e mantiveram a oferta de benefícios internos no aplicativo próprio da marca.
O processo detalha a falta de transparência sobre a verdadeira finalidade comercial por trás do escaneamento ocular em massa no país.
Os usuários entregavam os padrões da íris sem receber informações claras sobre as transferências das informações para servidores localizados no exterior.
A denúncia aponta a Amazon AWS como a possível provedora de hospedagem para todo esse material confidencial colhido nas ruas brasileiras.
Desta forma, o MPSP exige a apresentação de relatórios técnicos de segurança e a exibição de todos os contratos vigentes entre as duas gigantes de tecnologia.
O pedido de mérito da ação civil quer a classificação dessas abordagens de rua como práticas comerciais abusivas e fora da lei.
A promotoria acusa as rés de publicidade enganosa com base na exploração do desconhecimento tecnológico da população mais carente.
O objetivo final dos investigadores envolve a proibição sem volta de qualquer coleta biométrica atrelada a trocas de valor financeiro. Além disso, o documento requer a eliminação irreversível de toda a base de dados formada com a leitura dos olhos dos brasileiros.
O pedido de compensação busca reparar os danos morais sofridos por toda a coletividade de residentes do Estado de São Paulo.
Magistrados vão analisar os argumentos da acusação para emitir um parecer sobre o bloqueio cautelar das atividades nos próximos dias de trabalho.
Fonte: Ministério Público de São Paulo processa fundadores da Worldcoin e exige R$ 240 milhões por danos, Amazon AWS também é intimada
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