Digital Asset Summit 2026: stablecoins, regulação e Wall Street definem o tom do maior evento de ativos digitais dos EUA

16-Apr-2026 Livecoins
Digital Asset Summit, 2026, Nova Iorque

Por Lorrayne Viana, cofundadora da Rivool Finance

O Digital Asset Summit (DAS) 2026, organizado pela Blockworks entre os dias 24 e 26 de março, no Javits Center, em Nova York, reuniu milhares de participantes de centenas de instituições globais. Se o evento do ano passado ainda debatia se o universo cripto teria espaço no sistema financeiro, neste ano a pergunta mudou: como escalar?

E a resposta não foi mais “stablecoins” — foi o que se constrói em cima delas: vaults, crédito digital e infraestrutura institucional on-chain.

Stablecoins não são mais tese — são infraestrutura. E o DAS mostrou o que vem depois.

Os números já não pertencem ao campo da projeção — pertencem à realidade. O market cap das stablecoins ultrapassou US$ 320 bilhões em março de 2026. Em 2024, o volume transacionado chegou a US$ 27,6 trilhões, superando Visa e Mastercard combinadas. No mesmo período, a Tether lucrou mais de US$ 13 bilhões — acima de Mastercard e Citigroup.

No DAS, a discussão já não girava em torno da adoção de stablecoins, mas do que está sendo construído sobre essa infraestrutura.

Devin McGranahan, CEO da Western Union, detalhou no palco do DAS a estratégia por trás da USDPT — a stablecoin da empresa, sendo lançada na Solana em parceria com o Anchorage Digital Bank. Para McGranahan, o alvo é claro: o sistema bancário correspondente. “Acreditamos que o SWIFT é ineficiente, para dizer o mínimo. Se você administra um banco comunitário e precisa enviar dinheiro para a Europa, hoje isso leva cinco dias, não é rastreável e é caro. Achamos que podemos mudar isso.” A Western Union quer transformar a USDPT em uma conta digital para clientes de mercados emergentes, com pagamentos locais, poupança e crédito operando sobre uma stablecoin.

Denelle Dixon, CEO da Stellar Development Foundation, destacou no DAS por que tantas blockchains ainda falham quando o assunto é adoção institucional. Para ela, a resposta está nas redes públicas: “A razão pela qual a blockchain é tão útil para o sistema financeiro é que uma rede pública e aberta está em constante evolução. Há pessoas no mundo inteiro contribuindo para essa rede e tornando-a melhor o tempo todo.” Em matéria de stablecoin e adoção institucional, a Stellar é uma das redes que suportam o PYUSD — a stablecoin do PayPal — ao lado de blockchains como Ethereum e Solana, levando dólares digitais a mais de 170 países, com transações liquidadas em cerca de 5 segundos.

Dixon, Stellar Development Foundation e Campbell, ZKG

Dixon, Stellar Development Foundation e Campbell, ZKG

SEC define as regras: stablecoins não são securities

O DAS aconteceu uma semana após a SEC publicar sua primeira taxonomia oficial de tokens. No DC Blockchain Summit, dias antes do DAS, Paul Atkins, chairman da SEC, declarou: “We’re not the Securities and Everything Commission anymore.” No DAS, Atkins reiterou essa nova postura e detalhou o framework.

Paul Atkins, chairman da SEC
Paul Atkins, chairman da SEC

A taxonomia criou cinco categorias para criptoativos. Quatro delas — digital commodities, digital collectibles, digital tools e stablecoins — ficaram fora da classificação de securities. Apenas os digital securities permanecem sob a legislação de valores mobiliários.

Para as stablecoins, essa definição é crucial. Sob o GENIUS Act, stablecoins de pagamento não são tratadas como valores mobiliários, o que abre caminho para adoção institucional em escala. No palco do DAS, Devin McGranahan, CEO da Western Union, confirmou o efeito prático: “Com a aprovação do GENIUS Act, vimos uma oportunidade de usar stablecoins para resolver alguns problemas.” Dias antes do evento, senadores americanos anunciaram um acordo sobre o tratamento de rendimento de stablecoins no CLARITY Act, que ainda tramita no Senate Banking Committee.

📎 https://www.sec.gov/newsroom/speeches-statements/atkins-remarks-digital-asset-summit-032426

Wall Street não está observando — está operando

A presença de executivos de grandes instituições financeiras no DAS não foi protocolar. Foram apresentações estratégicas, com datas de entrega. 

Robin Vince, CEO do BNY — o maior banco custodiante do mundo, com mais de US$ 50 trilhões em ativos sob custódia —, afirmou no DAS que a instituição se posiciona como ponte entre os dois sistemas: “Podemos atuar como uma ponte muito eficaz entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema de finanças digitais.” O BNY já trabalha com o Goldman Sachs em fundos de money market tokenizados. 

Amy Oldenburg, head de estratégia de ativos digitais do Morgan Stanley, contestou a narrativa de FOMO: “Estamos nessa jornada de modernização de toda a infraestrutura financeira há anos.” O banco anunciou que terá ações e ETFs tokenizados em seu sistema interno até o segundo semestre de 2026.

Cynthia Lo Bessette, Fidelity Investments
Cynthia Lo Bessette, Fidelity Investments

Na mesma semana, a NYSE anunciou parceria com a Securitize para uma plataforma de trading digital com settlement on-chain e funding via stablecoin. A Interactive Brokers já permite depósitos 24/7 em USDC, com RLUSD e PYUSD a caminho.

📎 https://www.pymnts.com/blockchain/2026/nyse-taps-securitize-to-build-tokenized-securities-platform/

Saylor e o “digital credit”: Bitcoin como lastro de instrumentos financeiros

Michael Saylor, fundador da Strategy (ex-MicroStrategy), apresentou o que chamou de “um novo capítulo para os mercados financeiros”. Sua tese se apoia em três camadas: digital capital (Bitcoin como base), digital credit e digital money — instrumentos de crédito com rendimento estável, lastreados em Bitcoin.

Michael Saylor, Strategy
Michael Saylor, Strategy

Para Saylor, o preço do Bitcoin agora é determinado por fluxos de capital institucional, e não mais por ciclos de halving. “Por que o Bitcoin é capital digital? Porque os homens mais poderosos do mundo acreditam que é capital digital. Temos um presidente pró-Bitcoin; ele acredita em Bitcoin. Temos um gabinete pró-Bitcoin”, declarou.

A Strategy já emitiu quatro instrumentos de crédito digital — STRC, STRK, STRF e STRD — com yields entre 8% e 11,5%. O STRC, com aproximadamente US$ 5 bilhões em valor nocional, tornou-se o principal instrumento de captação da empresa, superando as ações ordinárias pela primeira vez. Em março de 2026, a Strategy levantou cerca de US$ 1,2 bilhão via STRC para comprar Bitcoin, elevando sua posição para 761.068 BTC.

📎 https://www.cryptotimes.io/2026/03/27/michael-saylor-explains-why-bitcoin-is-emerging-as-digital-capital/

Vaults: o ETF do mundo on-chain

Um dos temas mais comentados do DAS foi a consolidação dos vaults como instrumento de gestão de ativos na blockchain. Matt Hougan, CIO da Bitwise, contextualizou a evolução histórica: “Closed-end funds nos anos 1770, open-end funds nos anos 1920, hedge funds nos anos 1940, ETFs nos anos 1990 — e agora vaults nos anos 2020.”

Hougan descreveu os vaults como “the most important innovation in asset management since the invention of ETFs” e afirmou que “eventually all asset management will be done through vaults”.

Os vaults são smart contracts que recebem stablecoins e alocam recursos em estratégias de rendimento — operando 24/7, com posições transparentes e auditáveis em tempo real, sem custodiante intermediário. O segmento saiu de cerca de US$ 150 milhões em meados de 2024 para US$ 8,8 bilhões em AUM em 2025. A Morpho, uma das principais plataformas, opera com US$ 5,8 bilhões em TVL e atraiu a Apollo Global Management, que assinou acordo para adquirir até 9% do supply de tokens da plataforma.

Matt Hougan, CIO da Bitwise
Matt Hougan, CIO da Bitwise

A Bitwise lançou seu primeiro vault via Morpho em janeiro de 2026, buscando rendimento de 6% ao ano em dólar. A Kraken lançou o DeFi Earn, roteando depósitos de exchange para vaults on-chain geridos por equipes profissionais. Para Hougan, os vaults são “ETFs 2.0” — e a Bitwise se vê como uma gestora de vaults tanto quanto de ETFs.

Agentes de IA: a próxima camada de transações on-chain

Outro tema que ganhou espaço no DAS foi a convergência entre inteligência artificial e blockchain. Vibhu Norby, Chief Product Officer da Solana Foundation, apresentou a tese de que a rede está se posicionando como infraestrutura central para uma “internet agêntica” — onde sistemas de IA, e não humanos, iniciam e executam atividade econômica de forma autônoma. “99,99% de todas as transações on-chain em dois anos serão feitas por agentes, bots e carteiras baseadas em LLMs”, projetou Norby. Os números já apontam nessa direção: a Solana responde por 65% de todos os pagamentos agênticos via protocolo x402, com stablecoins como trilho padrão para pagamentos de computação e serviços de IA. Para Norby, o modelo é de pay-per-use: “Estamos focados nisso porque é algo genuinamente novo para o mundo — posso pagar por recurso.” Se a tese se confirmar, stablecoins deixam de ser apenas meio de pagamento entre pessoas e passam a ser a moeda das máquinas.

O sistema financeiro está sendo reinstalado

O DAS 2026 mostrou que a discussão sobre ativos digitais mudou de “se vai acontecer” para “quem vai operar a infraestrutura”. Stablecoins se tornaram o trilho. Vaults se tornaram o instrumento. E os maiores bancos e gestoras do mundo já estão construindo sobre essa base, Franklin Templeton, BlackRock e outras.

Para o mercado brasileiro — onde as stablecoins já representam a maior parte do volume de transações com criptoativos —, o DAS confirmou que essa tese não é mais experimental. É infraestrutura.

A Rivool Finance participou do Digital Asset Summit 2026, em Nova York.

Fonte: Digital Asset Summit 2026: stablecoins, regulação e Wall Street definem o tom do maior evento de ativos digitais dos EUA

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